Até mesmo o governo brasileiro já estuda a adoção de mecanismos para restringir as atividades de missões cristãs.
Um em cada 10 cristãos no mundo está sujeito a restrições severas ou vivendo em estado de guerra. E para eles não há sinais de melhora. Pelo contrário: a ofensiva contra a liberdade religiosa, o conflito ideológico e a imposição a outros credos está ganhando força em todo o mundo. Nos dias de hoje, especialmente nas nações livres, a perseguição assume ares tanto explícitos quanto sutis.
De acordo com o anuário alemão Maertyrer 2007, há 200 milhões de cristãos enfrentando algum tipo de restrição ao pleno exercício da fé, o que, em muitos casos, desdobra-se em situações de discriminação ostensiva e perseguição severa. Este anuário é publicado pela agência de notícias evangélica “Idea”, em parceria com a Aliança Evangélica Alemã e a Sociedade Internacional para Direitos Humanos.n
A informação também foi confirmada em um relatório inédito do Serviço de Inteligência Britânico, o MI6, apontando que cristãos em 60 países enfrentam uma perseguição orquestrada, em grande parte, pela rede terrorista Al-Qaeda.
Antes da queda do muro de Berlim e da abertura da Cortina de Ferro a perseguição era facilmente identificada, sendo dirigida e promovida principalmente pelo governo e pelas agências estatais. Foi nesta época que a Portas Abertas surgiu. (confira aqui a história do irmão André).
No entanto, desde então foram muitas as mudanças geopolíticas e econômicas. O comunismo entrou em colapso, a ex-União Soviética foi desmembrada, o muro de Berlim caiu, a União Européia vem se consolidando e o mundo assiste a uma polarização perigosa entre os países do oriente e do ocidente.
Uma nova Guerra Santa vem sendo proclamada por organizações terroristas islâmicas como a Al Qaeda, Talebã, entre outras, contra todos os cristãos e as nações do Ocidente.
Diante de tantas transformações, a Portas Abertas tem sido desafiada a diversificar suas formas de atuação.
Mesmo em uma nação livre como o Brasil – onde ao longo de três décadas a Portas Abertas se especializou em recrutar intercessores e mantenedores financeiros para sustentar o trabalho das localidades onde a perseguição é clara e explícita – já é possível identificar tentativas de coibir a liberdade de pregação da Bíblia e a perseguição aos pregadores com ameaça de detenção.
O governo brasileiro já estuda a adoção de mecanismos para restringir as atividades de missões cristãs na Amazônia (leia mais). Além disso, dois projetos de lei que se propõem a evitar o preconceito contra homossexuais, também possuem regras para silenciar e censurar a pregação da Palavra de Deus (entenda o caso aqui).
“Nunca vimos uma ação tão explícita quanto essa no Brasil, sabemos que esse é um fenômeno importado de outros países tidos como ‘livres’, como a Inglaterra e a Alemanha, e como Igreja precisamos resistir a esse ataque do inimigo”, afirma Douglas Monaco, secretário-geral da Portas Abertas.
Sob o manto da tolerância, o ataque à fé absoluta
As faces mais sutis da perseguição religiosa nas nações livres são revestidas sob o manto da tolerância e da igualdade. Basta observar o que aconteceu no ano passado na maior nação protestante do mundo, os Estados Unidos. Os Gideões Internacionais foram proibidos pela Justiça do Estado de Missouri de distribuir Bíblias a crianças em uma escola de Annapolis.
Alemanha, berço do protestantismo, é um exemplo claro de como a restrição à liberdade religiosa ganhou requintes de modernidade. No ano passado, o pastor luterano Johannes Lerle, de 55 anos, foi condenado a um ano de prisão por ter “incitado a oposição ao aborto durante uma pregação".
Ali também foi lançada, na Feira do Livro de Frankfurt de 2006, a primeira “Bíblia politicamente correta”, que "muda termos como "homens" por "pessoas" e "obedecer a Deus" por "escutar a Deus", entre outros trechos.
Na Espanha, foi incorporada ao currículo escolar uma disciplina de educação e aceitação a diferentes tipos de família e afetividades, incluindo as homossexuais – projeto que também está em estudo para ser implantado no Brasil.
Na Inglaterra, o bispo anglicano de Hereford, Anthony Priddis, foi processado por ter se recusado a empregar um homossexual declarado, depois que lei semelhante a esta que está para ser votada no Senado brasileiro foi aprovada. Na Suécia, o pastor Ake Green foi condenado a um mês de prisão por ter pregado um sermão contra o homossexualismo.
Tolerância agora exige negar que qualquer um tenha fé absoluta. Em nome do relativismo moral e cultural, segundo o qual todo uso, comportamento e costume deve ser respeitado e qualquer opinião e palavra contrária é interpretada como fanatismo, vemos o direito de evangelizar sendo atacado”, explica Johan Companjen presidente da Open Doors International.
De fato, as nações consideradas livres vivem hoje diante do desafio de identificar casos de perseguição e de resistir, a fim de evitar que a abertura de uma pequena brecha possa trazer consigo uma avalanche de imposições restritivas à divulgação da Palavra de Deus.